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Metade de 50

July 5, 2008

Em algum estabelecimento comercial, um rapaz sobre o balcão preenche a ficha cadastral de um cliente.

- Qual a sua idade, por favor?

- Vinte e cinco.

- Puxa, é mesmo?

- Sim, metade de cinquenta.

- Rapaz, que coisa, vinte e cinco anos. Eu queria ter vinte e cinco anos. Deve ser sensacional, não? Qual a sensação?

- Olha, não dá para descrever. Nem o maior dos maiores escritores de todos os tempos saberia descrever a sensação. Nem o maior dos maiores cineastas, ou roteiristas. Nem mesmo o maior dos maiores autores de novelas conseguiriam isso. Aliás, nem mesmo o autor daquela novela dos mutantes que está passando agora, conhece? Nem mesmo ele teria palavras para descrever o que é ter vinte e cinco anos.

- Nossa…

- Quantos anos você tem, rapaz?

- Vinte e quatro.

- Olha, se prepara. É sério. Se prepara. Quando você fizer vinte e cinco… aliás, não falarei mais nada. Aguarde e verá.

- Ah, não, por favor, senhor, me diga! Me diga o que acontecerá quando eu completar vinte e cinco anos!

- Não, meu caro, aguarde e verá. Mesmo que eu soubesse o que dizer, você não acreditaria.

Certo, completei vinte e cinco anos, a metade de cinquenta. Não sou nem jovem nem coroa. Estou bem no meio, na corda bamba. Equilíbrio? Talvez.

Quer dizer, não. É hora de chutar o balde. Posso agora apontar o dedo na cara de qualquer escritor meia-boca e dizer “você é uma fraude, seu pseudo-escritorzinho-aspirante-de-merda”. Afinal, a idade permite. Antes dos vinte e cinco, diriam que eram palavras de um jovem inconsequente. Mas agora, não. Dirão que são palavras de um crítico em formação, ora essa.

Poderei também gritar com senhoras e senhores de até 50 anos. “O senhor é um fanfarrão! Isso aqui é uma livraria, não uma biblioteca! Zero Dois, cadê a vassoura, Zero Dois?” “Ô, ô, perua! É, é com a senhora mesmo que estou falando. Não educa seus filhos, não, é? Passa daqui, passa daqui!”

Bom, é claro que estou brincando. Mas não deixem de me dar os parabéns, valeu?

A vida como ela é - 1 Comments

Resenha de “O sol se põe em São Paulo” and…

July 4, 2008

Uma resenha que demorou bastante de sair, mas, quando saiu, foi quase de um fôlego só. E gostei muito de tê-la escrito. Talvez seja o início de uma mudança no tom de meus textos, não sei.

Confiram lá, no Digestivo.

***

E hoje tem início minha colaboração com o Blog da Feira, que está mais para jornal on-line que para blog. Nos textos, o de sempre: livros e literatura. O primeiro texto é a resenha de “Amigos e vinhos, mulheres à parte”, publicada originalmente no Digestivo. Quem não leu lá, pode ler agora, no Blog da Feira.

Resenhas - 1 Comments

O mistério da Companhia das Letras

July 2, 2008

Se você tem livros da Companhia das Letras, repare na capa deles. Tem um desenhinho de um barco, avião, coroa de flores, bicicleta etc., logo acima do nome “Companhia das Letras”, certo?

Alguma vez você já teve curiosidade em saber qual o critério que eles usam para colocar tais figurinhas? Eu sim, e o Guilherme Montana, também. Em uma reportagem investigativa que levou meses para ser concluída, Guilherme desvendou o mistério.

Ele agora encontra-se recluso em algum lugar remoto do continente africano.

Livros - 0 Comments

21 gramas

June 28, 2008

Enquanto eu não posto, acompanhem o 21 gramas, um blog muito legal.

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Em tempo: fiz uma fila de livros de autores brasileiros, na vitrine da loja. Ainda não deu resultado. Ainda.

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Devagar as coisas andam (e os livros são vendidos)

June 20, 2008

O Campeonato Brasileiro de Futebol começou dia 10 de maio. Eu comecei a trabalhar na livraria alguns dias antes, dia 02. Quando o campeonato começou, uma daquelas lâmpadinhas se acendeu em cima de minha cabeça. Estavam lá alguns livros (a maioria daquela coleção da Ediouro) sobre alguns times, e estava lá a vitrine precisando de uma revigorada. Por que não colocá-los lá?

Como era/sou novato, não posso ir fazendo o que me der na telha. Mesmo sendo uma boa idéia. Esperei um pouco, pra ver se os livros não seriam vendidos sem precisar colocá-los na vitrine. Como isso não acontecia, comecei a perguntar às minhas colegas se ninguém comprava aqueles livros. Uma disse que não, outra disse que raramente. Depois disso perguntei a meu chefe se ele permitia que eu colocasse alguns livros na vitrine. Ele disse que tudo bem, era uma boa idéia.

Não são muitos, os livros que temos em estoque, infelizmente. Num dia que o movimento estava fraquíssimo, aproveitei pra fazer o que queria, e coloquei 7 livros em exposição: dois do Corinthians (de autores/editoras diferentes), dois do Botafogo (de autores/editoras diferentes), um do Palmeiras, um do Santos e um do São Paulo. Logo nesse dia, dois clientes entraram perguntando pelos livros da vitrine. Nenhum deles comprou, verdade seja dita, mas perguntaram.

No dia seguinte, mais dois cliente entraram e perguntaram. Mais um dia se passou e um cliente levou um do Botafogo. Depois, paulatinamente, saiu mais outro do Fogão, um do Corinthians, um do meu tricolor do coração e mais recentemente o do Palmeiras, filho único, inclusive.

Quero continuar fazendo vitrines temáticas. A próxima, se tudo der certo, vai ser com livros de Clarice Lispector. Depois, biografias. Depois, infanto-juvenis. Depois, uma seleção refinada de literatura brasileira e, em seguida, de literatura estrangeira. E assim por diante.

***

Dá gosto ver o cliente comprar o livro que você indicou. Hoje uma cliente foi comprar um livro para o sobrinho de 10 anos. Vocês podem não acreditar, mas minutos antes eu estava com “Você é um homem mau, Sr. Gum” em mãos, lendo, pois o movimento está ultra-fraco esses dias. É sempre bom ter uma noção de qualidade e temas de pelo menos alguns livros da seção infanto-juvenil (ficar só indicando Luis Fernando Verissimo e suas “Comédias para ler na escola” não dá, tem que ter repertório, por menor que ele seja). Então, como eu dizia, estava lendo “Você é um homem mau, Sr. Gum”, e estava gostando. Quando ela falou a idade do guri, não pestanejei: taquei o livro na mão dela, que deu uma folheada, leu um pouco e levou.

Legal, não?

A vida como ela é - 1 Comments

Entrando pelo cânone, Guga Schultze

June 18, 2008

O Guga Schultze fala sobre Harold Bloom e uma porção de coisas (relacionadas à literatura, claro) na sua coluna de hoje. Genial, não deixem de ler.

QI - 0 Comments

Aumentaram meu limite!

Tem algum doido trabalhando no banco que tenho conta. Inventaram de aumentar o limite do meu cartão de crédito.

Quem, em sã consciência, faria isso, pelo amor de Deus? Mas vai ver o cara olhou lá minhas faturas dos últimos meses, viu que eu tô me “amarrando”, e pensou: “pô, se eu aumentar o limite desse cara pode ser que ele desista de se controlar”.

Mas não, seu psicopata, eu não vou desistir. E só não ligo pro banco pra avisar que você é doido e mandar lhe internar porque pode ser que um dia eu precise dessa sua insanidade.

A vida como ela é - 0 Comments

Livraria não é biblioteca (nem parque de diversões)

June 17, 2008

Um dia desses me perguntaram se a livraria empresta livros. Como se estivesse respondendo a uma pergunta normal, em vez de uma pergunta estapafúrdia, respondi que não e tal, mas depois que o cara virou as costas, perguntei aos céus o que ele estava pensando da vida.

Tem gente que acha que livraria é biblioteca. Entra, pega um livro, senta numa mesinha, começa a ler e vai embora. Seria normal, se alguns não fizessem isso todos os dias e marcassem onde pararam de ler, para retomar a leitura no dia seguinte. Recentemente um senhor terminou de ler um assim, e já emendou outra leitura. É impressionante. Tem que ter muita paciência e força de vontade.

Livraria também não é parque de diversões. Quase todos os dias pais e mães soltam seus filhos lá. E salve-se quem puder. A pirralhada corre, pula, deita no meio da loja, senta na escada, sai tirando tudo quanto é livro do lugar e colocando só Deus sabe onde. É uma algazarra sem tamanho. Os pais fazem de conta que não enxergam, que está tudo bem, que é muito bonitinho-guti-guti os filhinhos deles bagunçarem toda a loja.

No calor da situação, dá vontade de dar uns cascudos na gurizada. Mas o certo mesmo seria dar umas palmadas nos pais, que não ensinam aos filhos aquela coisa arcaica que alguns conhecem como “bons modos”.

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Invasão de emos no blog

June 14, 2008

Me parece que os emos estão invadindo o Entretantos. Tem uma banda emo que o nome é Sherlock, de Sherlock Holmes, só que com “Ch”, e parece que a tal banda tem um cd que o título é - vou colocar a frase aqui porque ela já está em 1 ou dois posts aqui no blog - “elementar, meu caro Watson”. Aí, por conta disso, hoje o blog terá novo recorde de acessos. O que é uma pena, porque não queria ter um recorde de acessos por conta dos emos.

Nada contra eles. Mas é melhor que fiquem lá e que eu fique cá.

P.S.: Será que eles leram mesmo Conan Doyle? Digo, será que leram tanto que ficaram fãs e colocaram o nome da banda para homenagear o escritor inglês? Se a história for essa, pode ser até que num futuro distante, daqui a uns 15, 20 anos, depois que os integrantes da banda estiverem adultos, eles possam fazer alguma coisa que preste, em termos de música.

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